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Publicado em: quinta-feira, 11 de abril de 2013
Postado por Admin

Clostridioses em aves: Sintomas, causas e tratamento


Saiba mais sobre as Clostridioses em aves, incluindo seus sintomas, causas e tratamentos, e as doenças mais comuns botulismo, enterite ncerótica, enterite ulcerativa e dermatite gangrenosa.


É uma bactéria, presente em todo o meio ambiente e basicamente todos os animais possuem esta bactéria fazendo parte da microbiota intestinal, e no meio ambiente está sempre associada à matéria em decomposição, seja animal ou vegetal. É um gram positivo de cultivo anaeróbico, ou seja, necessita da falta de oxigênio para estar desenvolvendo suas funções, assim são encontradas em água parada, cadáveres e quando não está localizada em ambientes de baixa oxigenação a bactéria esporula, isto é, ela reduz o seu ciclo biológico e forma literalmente uma casca e fica em estado dormente até o estado de anaerobiose.

São bactérias flageladas e por este motivo possuem grande mobilidade em ambiente hídrico e em condições especiais, pode causar quadros de intoxicação devido a sua morte (lise), a sua cápsula e substâncias presentes em seu citoplasma são tóxicos, assim quando há a morte de uma grande quantidade de bactérias causa quadros de enterite e de toxica-infecções a nível sistêmico. Uma forma de identificar e diagnosticar o clostridio é através do esfregaço, onde a bactéria tem uma forma muita característica, a de um botão, que é o momento clássico em que o clostridio está prestes a esporular. Nas aves, há quatro quadros clássicos causados pelo clostridio que são:


Botulismo em aves


Intoxicação que acomete diferentes espécies, sendo que em aves a toxina envolvida é a Cα, onde as toxinas são liberadas após a morte das bactérias e lise de suas cápsulas. A ação da toxina ocorre através do impedimento de impulsos nervosos nos músculo, ou seja, impede à quebra de acetilcolina, o que resulta em uma paralisa muscular levando o animal a morte devido a paralisias respiratória e cardíaca. E os animais que sobrevivem à intoxicação botulínica geralmente sofrem com algum tipo de sequela, como paralisia de membro e cegueira.

Quando presente em um ambiente, por exemplo, em uma fazendo é possível notar diferentes espécies de animais morrendo, e não acomete apenas aves domésticas, mas também silvestres.
A contaminação ocorre através da ingestão de água contaminada, larvas e insetos, de animais ou de matérias em decomposição. Um exemplo clássico de contaminação das aves não é da ingestão direta da carcaça de animais, mas sim da ingestão de insetos e bicheiras, os quais não são atingidos pelas toxinas botulínicas, apesar de acumulá-las. Desta forma, quando uma ave ingere este inseto e contrai o botulismo. Seu tempo de incubação é de aproximadamente 10 a 12 horas, o que permite notificar as toxinas na corrente circulatória ou no trato gastrointestinal, e o quadro se difere um para o outro de acordo com a quantidade de toxinas ingeridas. Sua sintomatologia consiste em membros paralisados (pernas e asas), a paralisação da terceira pálpebra e pálpebras inferiores e superiores, redução de batimentos cardíacos, dificuldade respiratória e queda de pena fácil.

Para fechar o caso de botulismo é necessário realizar a necropsia em um animal recém- eutanasiado e avaliar a concentração de toxinas circulantes no sangue e obter o soro, avaliar conteúdo alimentar em papo e estômago, e realiza-se o teste de inoculo em rato através da administração do soro e o sobrenadante do material de moela. Observa-se por três dias, e caso haja toxinas botulínicas os ratos irão morrer, sendo que quando em grandes concentrações os animais de laboratório morrem em poucas horas.
Para a prevenção do botulismo é necessário estar sempre verificando se há aves mortas para evitar o canibalismo, quando há acúmulo de água na granja é preciso realizar a drenagem para não criar condições ambientais para a proliferação da bactéria, controle de insetos (moscas, besouros). Não há tratamento, na maioria dos casos é eutanásia.


Enterite necrótica em aves


É causada pelo Clostridium Perfringens que causa diferentes quadros patológicos em diferentes espécies de animais e é classificada como enterotoxemia devido à proliferação do agente no intestino rapidamente, algo que acontece comumente em animais que são tratados com antibioticoterapia. Desta forma, com o tratamento com antibiótico, o Clostridium forma cisto para sua proteção e quando o tratamento é cessado, o Clostridium volta a se desenvolver e proliferar, e em todo ciclo, morre e causa a toxemia devido a liberação das toxinas, que para este caso é a tipo C.

No entanto, o Clostridium Perfringens não depende apenas de alterações da microbiota intestinal para sua proliferação, isto é, em casos no sistema de produção avícola ele é muito abundante em aditivos alimentares como farinha de pena, vísceras, ossos, sangue ou carne que são adicionados à ração para aumentar o nível de proteína com a finalidade de melhorar o desempenho animal. No entanto, toda matéria orgânica pode conter Clostridium, exceto quando o alimento é elitizado a temperatura de 100°C.

Dentre os principais fatores que desencadeiam a enterite necrótica em um plantel agrícola, destacam-se: fatores nutricionais, casos de imunossupressão, doença intestinal prévia, fatores físicos e atividade microbiana. É interessante dizer que os casos de enterite necrótica podem ocorrer apenas devido ao estresse da ave que resulta na imunossupressão e proliferação da bactéria. Desta forma, como diferenciar casos individuais de surtos? Analisando a taxa de mortalidade, ou seja, comumente morrem aves no galpão, mas a nível necrótico os casos de enterite necrótica devem estar abaixo de 5 a 10%, caso contrário, a atenção deve ser redobrada.

Os sinais são bem variáveis, e inclui apatia, redução do apetite, fezes escuras podendo haver presença de sangue, edema, hemorragias, necrose de membros posteriores, desidratação, queda de penas e sempre o quadro patológico é acompanhada de necrose coagulativa com intensa infiltração. Ainda é possível visualizar hepatomegalia.

O diagnóstico pode ser realizado através do isolamento da lesão e raspado profundo, e realizar um microbiológico, apesar de ser perda de tempo e dinheiro. Assim, é basicamente a histologia associada com a microscopia é possível fechar o quadro. O PCR também pode auxiliar na identificação de tecido.
A prevenção deve ser feita através da adição de probióticos, prebioticos e ácidos orgânicos para manter a proliferação de Clostridium Perfringens em níveis desejáveis, pois não se pode removê-lo totalmente na microbiota intestinal para não causar um desequilíbrio. Ainda, monitoramento da quantidade de Clostridium em ração e cama, desinfecção e viragem de cama regularmente.


Entertite ulcerativa em aves


Diferente dos outros dois quadros de Clostridiose é causado pelo Clostridium Clorinium, e acomete principalmente codornas. É de ocorrência súbita, e na necropsia é possível notar verdadeiras úlceras que são tão agressivas que atravessam a parede intestinal e não é incomum achar quadros de peritonite por extravasamento de conteúdo intestinal. Não é uma enterite por intoxicação e em codornas é uma doença primária, ou seja, se ela se contaminar com o Clostridium Clorinium que não é considerado microbiota deste tipo de ave, a mesma irá desenvolver a doença diferentemente dos outros Clostridium que estão relacionados a outros fatores, como imunossupressão. Desta forma, quando há a contaminação, há morte das aves.

Dentre os sinais clínicos encontram-se, diarreia branca e aquosa, anorexia, sonolência, entortamento de pescoço, olhos cerrados. Normalmente o quadro é tão agudo que não é possível visualizar a lesão, diferentemente para com quadros crônicos que contém lesões visíveis. Acomete principalmente a região final intestino e íleo com lesões puntiformes (assemelhasse com sardas de hemorragia), ulceração diftérica (membrana sobre a úlcera de coloração amarelada), sendo esta última característica o ponto chave para a identificação da doença.

Em quadros agudos é possível visualizar microscopicamente a descamação de epitélio de mucosa, edema de parede intestinal, infiltração linfocitária granulocítica, presença de áreas necróticas, ulceração superficial ou atingindo a submucosa. Quando analisada em microscópio, as células da mucosa estão envoltas por células necróticas coagulativas, sendo que em úlceras mais maduras há a presença de massa granular muito densa, detritos celulares e quando se faz um gram é possível visualizar a parede do intestino forrado por bactérias que identifica a enterite ulcerativa.

O diagnóstico é simples, isto é, se não é uma ulceração causada por trauma, consequentemente é causada por Clostridium. A prevenção esta relacionada com a profilaxia, higiene, redução de estresse. O tratamento pode ser feito com penicilina e outros. Para aves assintomáticas é indicada a eutanásia e eliminação de aves doentes para evitar a transmissão para o restante do plantel.


Dermatite gangrenosa em aves


É causada pelo Clostridium Septicum e a lesão dérmica é causada pela toxina do tipo A. No histológico você não consegue visualizar a bactéria, e os fatores que facilitam a dermatite gangrenosa são: anemia, doenças imunossupressoras, adenovirose, deficiências nutricionais, coccidiose, e quadros de intoxicações que afetam o sistema imune. Causa depressão, inapetência, fraqueza de membros posteriores, ataxia.

O quadro é identificado a partir de lesões escuras e perdas de penas (alopexia), hemorragia subcutânea, inflamação, e em necropsia é possível notar a presença de um odor fétido e gases, edema em fígado e rins. Microscopicamente é observa-se edema, enfisema em tecido subcutâneo, hemorragia e necrose da região em que há lesão pela dermatite gangrenosa.

O diagnóstico é feito através do histórico do lote. A prevenção é redução de imunossupressão, controle da alimentação, limpeza e desinfecção o ambiente, e tratamento de casos agudos com penicilina.

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